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Personagem em quadrinhos discute tributação dos super-ricos de forma didática
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Personagem em quadrinhos discute tributação dos super-ricos de forma didática

Lu Sudré Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 08 de Fevereiro de 2021 às 07:38 Ouça o áudio: Play 02:39 02:39 Mute Download Niara, nome de origem africana que significa "aquela que tem grandes propósitos": sete tirinhas já foram publicadas - Ilustração: Renato Aroeira (@arocartum) Mostrar as faces da desigualdade e apresentar ideias em busca da justiça social. Foi com esse propósito que nasceu Niara, personagem criada pelo cartunista Renato Aroeira, uma adolescente negra cheia de reflexões e que explica, de forma didática, as distorções na cobrança de impostos no Brasil. Niara, que no idioma suaíli, falado no leste da África, significa “aquela que tem grandes propósitos”, é a mascote da campanha Tributar os Super-Ricos, lançada por 70 organizações brasileiras. A iniciativa propõe medidas urgentes como a diminuição de impostos para os mais pobres e para as pequenas empresas, com taxas de tributação maiores para aqueles que possuem altas rendas e grandes patrimônios. Segundo Aroeira, a concepção da personagem levou em conta a representatividade e, por isso, carrega as características da maioria da população brasileira: é uma pessoa do sexo feminino e negra. A ideia é que as questões sejam apresentadas de maneira leve por Niara, dialogando com crianças e adultos ao mesmo tempo. As tirinhas de Mafalda, criação do cartunista argentino Quino, e Armandinho, criado pelo ilustrador Alexandre Beck, por exemplo, são grandes inspirações, pois os personagens dialogam com leitores de diferentes faixas etárias. Leia mais: BdF Explica: o que é o imposto sobre grandes fortunas e como implementá-lo no Brasil? “É a lógica reta e curta, objetiva. E por isso acaba funcionando muito bem. São personagens que trazem o universo dos adultos para a voz das crianças. Elas gostam e os adultos se maravilham”, explica Aroeira. Ilustração: Renato Aroeira (@arocartum) Ele acrescenta que há um conselho editorial formado por diferentes profissionais para elaborar os roteiro das tirinhas e desenvolver a personagem. São eles Katia Marko, Stela Pastore, Rosilene Corrêa, Maria Regina Paiva Duarte e Dão Real Pereira dos Santos Até o momento, sete tirinhas já foram publicadas. :: Entenda por que os pobres pagam mais impostos no Brasil :: Segundo o cartunista, há uma grande preocupação com a forma e com o conteúdo que está sendo transmitido. São usados textos objetivos e claros, apresentados de uma forma didática, sem misturar os assuntos para não confundir o público. Em uma das tirinhas, por exemplo, Niara fala sobre os impostos indiretos e abre uma conversa com o leitor. Após detalhar a disparidade entre pobres e ricos, ela explica a importância da arrecadação da verba para a execução de serviços públicos, sem deixar de lado a justiça fiscal: que quem ganha mais, deve pagar mais. Niara explica a lógica por trás dos impostos sobre o consumo, os que mais pesam no bolso dos trabalhadores / Ilustração: Renato Aroeira (@arocartum) Aroeira diz ainda que a questão da tributação dos super-ricos não é o único tema diretamente abordado. As estruturas que tornam as reformas urgentes, principalmente em meio à pandemia, também ganham destaque. “À medida que estamos fazendo percebemos que temos que falar mesmo sobre a desigualdade, que é a grande razão para se tributar os super-ricos. É o aumento contínuo e permanente do fosso entre as pontas da sociedade”, afirma. Leia também: O Brasil não está quebrado: entenda o porquê Em outra tirinha, por exemplo, a personagem conversa com um amigo sobre Robin Hood, que tirava recursos da nobreza para distribuir entre os pobres explorados. Ilustração: Renato Aroeira (@arocartum) Ainda que a personagem tenha sido lançada em dezembro, já está sendo usada como material para preparação de aulas nas escolas brasileiras. Aroeira comenta que a arte, com seu potencial revolucionário, é muito eficiente para transmitir conceitos e desmistificar narrativas construídas pelo neoliberalismo, como, por exemplo, que os impostos são instrumentos de um Estado corrupto. Leia ainda: Para economistas, dívida pública não é um problema, como defende o governo “Tudo que existe, da pracinha até o SUS, é pago com imposto. Imposto não é errado. O errado é só pobre pagar imposto. Isso que é um absurdo. Quanto menos dinheiro você tem, maior a porcentagem do que se paga”. A campanha A campanha Tributar os Super-Ricos gira em torno de oito propostas de alterações legislativas que foram apresentadas ao Congresso Nacional em agosto do ano passado. Os projetos permitem que o Brasil arrecade R$ 300 bilhões ao ano tributando apenas 0,3% mais ricos – 59 mil pessoas de um total de 210 milhões de brasileiros. A campanha ganhou força com a adesão de mais de 70 organizações que se engajaram para disseminar o debate. Entre elas o Instituto Justiça Fiscal, Auditores Fiscais pela Democracia, os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco Nacional), entre outros. :: Bilionários recuperam-se em tempo recorde na pandemia enquanto pobres levarão anos :: Além da instituição do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) sobre riquezas de pessoas físicas que ultrapassam R$ 10 milhões, a articulação defende a correção das distorções do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) com a revogação da isenção dos lucros e dividendos e o fim da dedução de juros sobre o capital próprio. A criação de uma nova tabela de alíquotas progressivas e a elevação do limite de isenção para baixas rendas são outras propostas elencadas assim como a elevação da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos setores financeiro e da extração mineral. A campanha também propõe a criação da Contribuição Sobre Altas Rendas das Pessoas Físicas (CSAR) sobre rendas anuais acima de R$ 720 mil. Acesse as principais propostas da campanha aqui. Edição: Rogério Jordão

12 de fev. de 2021
4 min de leitura

Lu Sudré Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 08 de Fevereiro de 2021 às 07:38 Ouça o áudio: Play 02:39 02:39 Mute Download Niara, nome de origem africana que significa "aquela que tem grandes propósitos": sete tirinhas já foram publicadas - Ilustração: Renato Aroeira (@arocartum) Mostrar as faces da desigualdade e apresentar ideias em busca da justiça social. Foi com esse propósito que nasceu Niara, personagem criada pelo cartunista Renato Aroeira, uma adolescente negra cheia de reflexões e que explica, de forma didática, as distorções na cobrança de impostos no Brasil. Niara, que no idioma suaíli, falado no leste da África, significa “aquela que tem grandes propósitos”, é a mascote da campanha Tributar os Super-Ricos, lançada por 70 organizações brasileiras. A iniciativa propõe medidas urgentes como a diminuição de impostos para os mais pobres e para as pequenas empresas, com taxas de tributação maiores para aqueles que possuem altas rendas e grandes patrimônios. Segundo Aroeira, a concepção da personagem levou em conta a representatividade e, por isso, carrega as características da maioria da população brasileira: é uma pessoa do sexo feminino e negra. A ideia é que as questões sejam apresentadas de maneira leve por Niara, dialogando com crianças e adultos ao mesmo tempo. As tirinhas de Mafalda, criação do cartunista argentino Quino, e Armandinho, criado pelo ilustrador Alexandre Beck, por exemplo, são grandes inspirações, pois os personagens dialogam com leitores de diferentes faixas etárias. Leia mais: BdF Explica: o que é o imposto sobre grandes fortunas e como implementá-lo no Brasil? “É a lógica reta e curta, objetiva. E por isso acaba funcionando muito bem. São personagens que trazem o universo dos adultos para a voz das crianças. Elas gostam e os adultos se maravilham”, explica Aroeira. Ilustração: Renato Aroeira (@arocartum) Ele acrescenta que há um conselho editorial formado por diferentes profissionais para elaborar os roteiro das tirinhas e desenvolver a personagem. São eles Katia Marko, Stela Pastore, Rosilene Corrêa, Maria Regina Paiva Duarte e Dão Real Pereira dos Santos Até o momento, sete tirinhas já foram publicadas. :: Entenda por que os pobres pagam mais impostos no Brasil :: Segundo o cartunista, há uma grande preocupação com a forma e com o conteúdo que está sendo transmitido. São usados textos objetivos e claros, apresentados de uma forma didática, sem misturar os assuntos para não confundir o público. Em uma das tirinhas, por exemplo, Niara fala sobre os impostos indiretos e abre uma conversa com o leitor. Após detalhar a disparidade entre pobres e ricos, ela explica a importância da arrecadação da verba para a execução de serviços públicos, sem deixar de lado a justiça fiscal: que quem ganha mais, deve pagar mais. Niara explica a lógica por trás dos impostos sobre o consumo, os que mais pesam no bolso dos trabalhadores / Ilustração: Renato Aroeira (@arocartum) Aroeira diz ainda que a questão da tributação dos super-ricos não é o único tema diretamente abordado. As estruturas que tornam as reformas urgentes, principalmente em meio à pandemia, também ganham destaque. “À medida que estamos fazendo percebemos que temos que falar mesmo sobre a desigualdade, que é a grande razão para se tributar os super-ricos. É o aumento contínuo e permanente do fosso entre as pontas da sociedade”, afirma. Leia também: O Brasil não está quebrado: entenda o porquê Em outra tirinha, por exemplo, a personagem conversa com um amigo sobre Robin Hood, que tirava recursos da nobreza para distribuir entre os pobres explorados. Ilustração: Renato Aroeira (@arocartum) Ainda que a personagem tenha sido lançada em dezembro, já está sendo usada como material para preparação de aulas nas escolas brasileiras. Aroeira comenta que a arte, com seu potencial revolucionário, é muito eficiente para transmitir conceitos e desmistificar narrativas construídas pelo neoliberalismo, como, por exemplo, que os impostos são instrumentos de um Estado corrupto. Leia ainda: Para economistas, dívida pública não é um problema, como defende o governo “Tudo que existe, da pracinha até o SUS, é pago com imposto. Imposto não é errado. O errado é só pobre pagar imposto. Isso que é um absurdo. Quanto menos dinheiro você tem, maior a porcentagem do que se paga”. A campanha A campanha Tributar os Super-Ricos gira em torno de oito propostas de alterações legislativas que foram apresentadas ao Congresso Nacional em agosto do ano passado. Os projetos permitem que o Brasil arrecade R$ 300 bilhões ao ano tributando apenas 0,3% mais ricos – 59 mil pessoas de um total de 210 milhões de brasileiros. A campanha ganhou força com a adesão de mais de 70 organizações que se engajaram para disseminar o debate. Entre elas o Instituto Justiça Fiscal, Auditores Fiscais pela Democracia, os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco Nacional), entre outros. :: Bilionários recuperam-se em tempo recorde na pandemia enquanto pobres levarão anos :: Além da instituição do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) sobre riquezas de pessoas físicas que ultrapassam R$ 10 milhões, a articulação defende a correção das distorções do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) com a revogação da isenção dos lucros e dividendos e o fim da dedução de juros sobre o capital próprio. A criação de uma nova tabela de alíquotas progressivas e a elevação do limite de isenção para baixas rendas são outras propostas elencadas assim como a elevação da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos setores financeiro e da extração mineral. A campanha também propõe a criação da Contribuição Sobre Altas Rendas das Pessoas Físicas (CSAR) sobre rendas anuais acima de R$ 720 mil. Acesse as principais propostas da campanha aqui. Edição: Rogério Jordão

 
 
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